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A luta de The 100 em desconstruir os preconceitos diários em uma trama apocalíptica

Para os que ainda não conhecem, The 100 pode ser apenas uma pequena série adolescente distópica da CW, mas como qualquer um que assisti sabe, o show é extraordinário. E isto é, em grande parte porque The 100 tem – aparentemente sem esforço – construindo um mundo em que todas as restrições impostas pela sociedade moderna foram esquecidas.

O mundo de The 100 aborda temas sobre grandes questões da sociedade atual; especificamente o racismo e  a misoginia. A série retrata um futuro pós-apocalíptico em que a humanidade parece finalmente ter colocado para descansar conflitos seculares, tendo simplesmente se preocupando com questões maiores e mais importantes.

(Achamos que faz sentido pegar nada menos do que um apocalipse para finalmente erradicar o racismo e sexismo na nossa sociedade!)

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Mas a beleza  de The 100 não é retratar personagens fortes ou pessoas negras e do sexo feminino. É que dentro da narrativa, isso não se torna um problema, no final o que realmente importa é você estar vivo ou morto.

“Adorei como Clarke não vê belos saltos, mas sim uma arma!”

Já saudamos a série por ser capaz de colocar as mulheres no poder (tanto físico quanto politicamente) sem que ninguém dissesse as palavras: “Mas você é uma menina!”

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Da mesma forma, alguns personagens são brancos, alguns são negros, alguns são asiáticos, alguns são misturados – e isso nem é abordado na série.

Os personagens são simplesmente personagens; alguns são egoístas, alguns são inteligentes, alguns são covardes, alguns são abnegados, alguns são cruéis, alguns são fortes … e a aparência e gênero são fatores irrelevantes.

Na segunda temporada da série foi introduzido o primeiro personagem gay, a comandante dos grounders, Lexa. Mais tarde o criador e produtor executivo da série Jason Rothenberg confirmou que Clarke (a protagonista da série) era bissexual.

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Porém, enquanto a sexualidade de Lexa parece ser completamente insignificante para os personagens na série, ela tem uma grande importância para os fãs de The 100, muitos dos quais se sentiram sub-representadas até agora.

Em um mundo onde a mídia retrata gays, personagens lésbicas e bissexuais definidos principalmente por sua sexualidade, tendo Lexa – um dos mais fortes personagens e um dos mais amados do show – casualmente revelando que é gay e, em seguida continuar o seu dia normal, isso envia uma forte mensagem importante para os jovens telespectadores.

Eu fiz um pouco de pesquisa nos programas da CW, e descobri, para minha surpresa que não há um único personagem gay principal em qualquer um dos programas atualmente em execução na rede. Isso é 0/89, apenas no caso de você estar se perguntando.

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Vários personagens gay são apoio/recorrentes em Supernatural, The Vampire Diaries, Jane the Virgin, Arrow e The Originals (e no ano passado ambos, The Carrie Diaries e Star-Crossed teve personagens principais gay/lésbica/bissexual), mas personagens gays ainda permanecem chocantemente sub-representadas na CW.

A menos que exista algum tipo de política da rede, temos conhecimento que já é tempo para um show da CW introduzir mais personagens homossexuais e bissexuais – e mais importante, na verdade, mostrar as relações de pessoas do mesmo sexo no ar.

Mas, falando sobre The 100 especificamente, a série certamente fez muitos fãs felizes em mostrar um personagem feminino forte não só assumir uma posição de liderança (governando o seu povo com mão de ferro, pronto para torturar seu braço direito até a morte se ele desobedecer ela), mas para também, revelarem que ela já esteve uma vez em um relacionamento com outra mulher.

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Se é ou não é intencional, os escritores de The 100 estão travando uma revolução silenciosa ocasional contra a marginalização da minoria, e isso é uma das coisas que fazem esse show espetacular.

O texto acima foi originalmente publicado aqui e reflete a opinião da equipe do The 100 Brasil.

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Tradução: Guilherme Guckert

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